terça-feira, 16 de março de 2010

Memória Descritiva da proposta 1

Esta primeira proposta realizada com pontos, linhas e, neste caso, sombras pode não ter para todos um significado igual e ser, assim, deturpada a interpretação que eu pretendo dar à mesma. Isto pode acontecer, uma vez que o trabalho é bastante abstracto. Porém esta é a minha interpretação da música e, aqui, vou passar a explicá-la.
Na minha opinião, existe um certo desfasamento entre a letra e o ritmo da música, mais especificamente, a letra é mais triste e introspectiva enquanto o ritmo é mais enérgico e confere dinâmica à música. Existe, por isso duas dimensões abordadas, que se encontram em “compartimentos estanques”, apesar de partilharem o mesmo espaço geral no trabalho.
Para o ritmo foram usados pontos que estão dispostos de uma forma crescente, já que o mesmo acontece na música, ou seja, começa um instrumento a tocar e, com o passar do tempo, vão sendo acrescentados mais instrumentos até ao momento em que começam a cantar, momento em que já a melodia está completa. Para o fim da música foi usado o mesmo princípio e raciocínio mas de uma forma decrescente, visto que, apesar de não acontecer exactamente o mesmo, os instrumentos também começam a abrandar o ritmo até que a música acabe. Para esta parte, foram usadas formas circulares, já que estas representam alegria e dão dinamismo ao trabalho. As cores usadas foram o amarelo e o laranja, tonalidades que representam também, por si só a energia, o movimento e a felicidade. Segundo vários autores, o amarelo representa o optimismo1, a luminosidade2 e a alegria1. O laranja, por sua vez é uma cor activa1, quente,2 e que representa a juventude e a euforia4. Nesta parte, foram usados os princípios da previsibilidade, pois, como a música, as formas circulares desenvolvem-se de uma forma previsível. Pela mesma razão, foi usada a estabilidade, “que é a técnica que expressa a compatibilidade visual e desenvolve uma composição dominada por uma abordagem temática uniforme e coerente.”3 Também a sequencialidade, que “no design (…) baseia-se na resposta compositiva a um projecto de representação que se dispõe numa ordem lógica”3, foi utilizado pelo raciocínio acima referido. Esta “ordenação pode seguir uma fórmula qualquer, mas em geral envolve uma série de coisas dispostas segundo um padrão rítmico.”3 Para além disso, usei a simplicidade, “uma técnica visual que envolve a imediatez e a uniformidade da forma elementar, livre de complicações ou elaborações secundárias”3, para uma mais fácil compreensão do trabalho. Por fim, e um pouco no seguimento do que já foi referido, está patente também a regularidade, que “constitui o favorecimento da uniformidade dos elementos, e o desenvolvimento de uma ordem baseada em algum princípio ou método constante e invariável.”3
Para a parte da letra, foi usado um método mais complexo, as sombras. A letra desta música tem, de certa forma, um carácter subversivo e de quebra com os cânones e os dogmas impostos pela sociedade. O autor simplesmente não quer ser apenas mais um seguidor, apenas mais um a pensar como tantos outros, quer impor-se perante aqueles que fazem da sua opinião uma verdade universal. Para poder concretizar esta ideia foram usadas sombras, que são uma forma de representar o facto de ele “viver à margem” dos outros, ou seja, as formas “reais” são as pessoas contra quem ele fala e as sombras são a opinião dele. Aqui foram usadas formas rectas variadas, já que representam uma certa seriedade e severidade. A cor usada foi o preto, uma vez que é identificado como a cor do mistério, da solidão, já que ele se sente à parte dos outros, da sobriedade4, da tristeza2, da introspecção e da auto-análise1, pois é isso que ele faz a si próprio e aos outros. Os princípios usados aqui foram a irregularidade, oposto da primeira parte, que, “enquanto estratégia de design, enfatiza o inesperado e o insólito sem ajustar-se a nenhum plano decifrável.”3 A espontaneidade é outra das características do trabalho que por seu lado, “caracteriza-se por uma falta aparente de planeamento”3, quando, na verdade, essa desorganização é intencional. É uma técnica “impulsiva e livre.”3 Por fim, foi usada a sensação de profundidade com as sombras. Esta é uma técnica regida pelo uso de perspectiva, e é intensificada pela reprodução da informação ambiental através da imitação dos efeitos de luz e sombra.”3






1 http://designbp-luis.blogspot.com/2009/03/significado-das-cores.html
2http://www.grito.com.br/artigos/fabricio002.asp
3Dondis, A. Donis, Sintaxis de la imagen
4http://kharllos.wikidot.com/significado-das-cores-cor-relacoes

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